Casa Isa Scherer

LILIT™ · Mirage · São Paulo, SP

Ao atravessar o portão da vila, o ritmo muda. Em volta, a frenética São Paulo. Dentro, uma fileira de casinhas geminadas, crianças brincando na rua e uma sensação rara de pausa.

Foi nesse silêncio inesperado que a chef Isa Scherer e o marido, Rodrigo Calazans, decidiram criar o novo lar para si e para os gêmeos, Bento e Mel. Logo na primeira visita, o veredito veio sozinho: aquela paz precisava virar casa.

O projeto, assinado pela Fatta Arquitetura, traduz a história dos moradores em cada detalhe. A claraboia que abre a cozinha para o céu. A porta azul de entrada, sonho antigo de Isa. A parede da cozinha forrada com menus dos restaurantes preferidos do casal, emoldurados como obras de arte. Os papéis de parede dos gêmeos, desenhados especialmente por artistas. Tudo desenhado para virar memória.

A internet apelidou de "casa de vó moderna". O vídeo da Casa Vogue passou de um milhão e meio de visualizações em poucos dias. A repercussão foi imediata porque a casa não tenta impressionar. Ela abraça.

Em meio à camadas de cor, arte e referência afetiva, havia uma decisão estrutural a ser tomada. O piso precisava costurar todo o térreo em superfície única, sem juntas e sem desenho competindo com a coleção de arte que percorre as paredes. Não bastava ser chão. Era preciso ser tecido contínuo, capaz de atravessar living, sala íntima, escada escultural e área de leitura como gesto único.

Foi aí que entrou o LILIT™ em tonalidade Mirage, aplicado no piso de toda a área social. O LILIT™ é um revestimento monolítico contínuo, feito à mão por artesãos Monofloor, sem juntas, sem rejunte. A continuidade absoluta da superfície aproxima o piso de uma página em branco: o olho percorre o térreo sem encontrar emenda, e a luz natural escorre uniformemente da claraboia da cozinha até os recantos sob a escada esculpida.

A tonalidade Mirage foi escolhida exatamente por isso. Um tom claro de temperatura quente, próximo ao bege luminoso, capaz de receber a paleta de móveis caramelo (a Mole de Sergio Rodrigues, a Jangada amarela), o Basquiat em parede, os Warhol da família, a tela coral floral acima do sofá Tacchini. Uma base que sustenta tudo sem disputar atenção, e que muda de leitura conforme a luz do dia atravessa o pé direito alto.

A escada branca esculpida, com sua curva orgânica que parece nascer do próprio chão, encontra no Mirage o aterrissagem perfeita. O piso contínuo amplifica o gesto escultural da escada, em vez de fragmentá-lo com juntas ou padronagem. Coreografia silenciosa entre a peça arquitetônica que chama atenção e o piso que aceita ser apenas matriz dela.

Mais do que piso, costura. Mais do que cor, atmosfera. A Casa Isa Scherer é exatamente o tipo de espaço em que o monolítico deveria existir: ao serviço da vida, e não da fotografia.